Arquivo da Categoria ‘OPINIÃO E LEITURAS’

Direto ao Assunto

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brasileiros e brasileiras, meus amados compatriotas! Acompanhem aqui a tragicômica série “Direto ao Assunto” e, com todo bom senso, discernimento e sinceridade, decidam, por sí mesmos, imparcialmente, desimbuídos de quaisquer predileções políticopartidárias, e, por obséquio, me respondam: porventura a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, está minimamente apta para comandar o destino do nosso país?

Episódio 01

Episódio 02

Episódio 03

Episódio 04

A REPÚBLICA DOS JOSÉS

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coolaboração de Fernando Moreno Machado* para o Blog

O Brasil está atônito com os últimos acontecimentos envolvendo a nossa classe política. Pela primeira vez na história do País, um Governador em pleno exercício foi preso e, o que é mais surpreendente, continua preso, passando para a população a impressão de que finalmente a Justiça começa a ser para todos. 

O Jornal A Folha de São Paulo denunciou o que a princípio parece ser o maior escândalo do Governo Lulla. Acusado de ser o chefe do esquema que ficou conhecido como mensalão, o deputado federal cassado, José Dirceu (PT), volta à cena.

Desta vez, ele é suspeito de beneficiar um cliente de sua empresa de consultoria (!?) o que levará a oposição a propor nova CPI contra o governo no Congresso. O empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, teria pago pelo menos R$ 620 mil a José Dirceu pelo serviço de consultoria, entre 2007 e 2009.

O negócio é visto com suspeição pelo mercado. Em 2005, Santos comprou por um valor simbólico de R$ 1 a participação na empresa Eletronet (!?) que havia pedido autofalência em 2003 e acumulava uma dívida de R$ 800 milhões. Em valor insuficiente para fazer frente às dívidas, o principal patrimônio da Eletronet é uma malha de cabos de fibra óptica de 16 mil quilômetros, passando por 18 Estados.

É justamente esta malha que interessa ao governo federal, que, reativando a Telebrás, projeta utilizar a estrutura já existente para levar banda larga a localidades carentes de acesso à internet.

O negócio potencialmente rentável para Santos levanta suspeitas de que José Dirceu tenha feito lobby pelos interesses do cliente, passando informações privilegiadas. A oposição, que já propôs a criação de uma CPI, estuda pedir a convocação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, para falar sobre o assunto na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara.  Também pretende solicitar informações sobre o caso para a ministra Dillma Rousseff em Comissão de Valores Mobiliários.

Certamente este não é o País que queremos, não é o rumo que temos que tomar. O Programa de Governo Estatizante de Dillma levará ao gigantismo do Estado, contribuindo para facilitar a corrupção de todos os tipos e sem a popularidade do Presidente Lulla, caso eleita, seu Governo será conhecido como a REPÚBLICA DO JOSÉ DIRCEU.
 
Enfrentar um governo com “supostos” 73% de aprovação indica que a campanha presidencial do PSDB não deverá ser nem de mudança bruscas, nem de continuidade ineficaz. Será uma campanha com propostas concretas, objetivas, fáceis de entender. Que não se perca tempo com as comparações que não agreguem valor, o complexo de autoria, o retrovisor, pois nada mais chato do que discutir o ovo ou a galinha.

As questões, para o eleitor, deverão ser outras, muito mais próximas do dia-a-dia. O que será ampliado na Bolsa Família? Como será recomposto o salário dos aposentados? Como será reduzida a prestação da casa própria? O eleitor não quer saber de onde vem o recurso. Até mesmo porque há recurso sobrando no Brasil e por sinal muito mau aproveitado.
 
É só dizer que o recurso para tudo isso virá do Pré-Sal. Que virá dos U$ 250 bilhões em caixa. Que virá de uma contribuição maior dos banqueiros e dos endinheirados donos de multinacionais que não colaboraram e continuam não colaborando para a redução da desigualdade no Brasil. Que virá dos bilhões que o BNDES coloca em outros países, em vez de investir no Brasil.

É hora de distribuir a riqueza que o país criou nos últimos 15 anos. Não existe país rico com povo pobre. E não precisa aprofundar muito não. Esta eleição não será de mudança brusca e nem de continuidade. É a eleição do Real. Não, não mais da moeda, mas do que será feito já, apartir de 1 de janeiro de 2011.
 
Por isso, para vencer, e vencer bem,  precisamos qualificar nossa representação no Senado Federal, que nos últimos tempos tomou conta de todas as páginas policias. Deveremos ter então uma campanha para o Senado de nível TUCANO o mais José Aníbal possível. Que deverá dar o tom, o rumo do embate entre a verdade e a mentira tão presente dos PTralhas. Para tanto devemos defender a candidatura do histórico José Aníbal para a vaga do SENADO.

Durante a campanha que teremos pela frente, nosso canditato a presidência não poderá se expor e bater no “presidente sindicalista”, nosso candidato ao Palácio dos Bandeirantes, idem. Mas se engana quem acreditar que os PTralhas não irão jogar sujo.

A candidatura de José Aníbal ao SENADO não apenas nos dá o melhor candidato, como coloca nas mãos do mais COMBATIVO dos TUCANOS a tarefa de rebater os PTralhas como se deve.

Mesmo que tenha que cambater com o que chamo de VERDADES INCONVENIENTES. Se for preciso comprar brigas que ninguém mais compraria e, se julgar que é o caso contra os fascistas de ALMA e esquerdistas de BOLSO do PT, José Aníbal é do tipo que vai até o fim. Sua História e currículo nos dão esta garantia! E para encerrar eu pergunto: “Nas mãos de quais ‘Josés’ você quer ver o nosso país?”

* Fernando Moreno Machado é filiado ao Diretório do PSDB de Pinheiros - SP - Capital.
fernando.psdb@gmail.com

Reparação

domingo, 3 de janeiro de 2010

A História do lamentável perído em que o Brasil viveu sob a égide de um Regime Militar que aviltava os direitos e liberdades dos cidadãos honestos e trabalhadores - que realmente acreditavam no poder e na beleza da Democracia legitimamente exercida e não no autoritarismo, qualquer que seja, amparado no terror das armas - sempre foi contada de forma incompleta, escusando o dolo dos guerrilheiros que também prejudicaram - e muito - a nossa sociedade.

Notadamente, os erros e crimes, de acordo com as provas e registros que hoje vêm à luz, foram cometidos pelos extremistas dos dois lados: dos agentes do governo militar e dos grupos terroristas de esquerda.

Acredito que a Anistía Política, se “geral, ampla e irrestrita”, deva, com efeito, ser para todos, em nome da construção do futuro do país. Todavia, a consciência coletiva da nação não pode olvidar o passado e deve, para não repetir os mesmos erros de outrora, procurar conhecer a verdade.

Acerca deste tema, pois, em hora muito oportuna (2010, ano eleitoral no qual figura uma candidata à presidência que fez parte de um destes grupos) será lançado o documentário Reparação, longa-metragem que, certamente, vai dar o que falar e que não pode deixar de ser visto.

Artigo José Serra: Economia Verde

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Em Copenhagen, governador torce por um acordo diplomático. Leia, abaixo, uma de suas importantes falas:

Esquenta a reunião da ONU em Copenhague, sobre as mudanças climáticas. Importantes nações, entre as quais EUA, China, Japão e Índia, anunciaram sua disposição em reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE). Vamos ver se é verdade e torcer para que haja um amplo acordo diplomático para enfrentar o aquecimento global do planeta.

Inicialmente tímido, o Brasil também melhorou sua posição, o que é positivo. Não se deve temer a agenda ambiental, como se ela representasse uma ameaça ao crescimento da economia. Pelo contrário. Contando com o ativismo do Estado, e graças ao enorme potencial das energias renováveis em nosso país, excelentes oportunidades podem se abrir para o desenvolvimento sustentável brasileiro.

Por essa razão vim para a Dinamarca por três dias. Primeiro, quero mostrar a política de mudanças climáticas de São Paulo, recentemente transformada em lei estadual. Mais que a meta de redução de 20% nos GEEs até 2020, com base em 2005 - redução absoluta, diga-se, não mera reversão de tendências - os compromissos públicos exigidos abrem uma rica, embora dificílima, agenda de trabalho ambiental na próxima década.

Destaco que a nova lei obriga, no prazo de um ano, ao governo de São Paulo apresentar um plano para o transporte sustentável no estado. Definitivamente, chegou a hora de colocar as ferrovias e hidrovias no primeiro plano das estratégias de crescimento. Muito investimento terá que ser feito para equilibrar e articular os modais de transporte de cargas.

Quanto à mobilidade urbana, nosso plano de expansão do transporte metropolitano, em execução, configura o maior projeto de transporte público já realizado no Brasil.

Vamos investir, nesses quatro anos, R$ 20 bilhões em Metrô, CPTM e EMTU/SP, abrindo caminho para quadruplicar a rede sobre trilhos com qualidade de metrô (linhas novas e modernização das antigas linhas de trens urbanos). E até 2020 o transporte sustentável terá que avançar ainda mais, pois facilitar o deslocamento das pessoas e reduzir a necessidade de utilização do transporte individual reduzem a poluição atmosférica e rebaixam a emissão de CO2.

Uma razão mais pessoal me trouxe a Copenhague. Como economista, entendo que o processo em curso, de descarbonização das economias, levará a um novo padrão de produção e de consumo no mundo. Distinto daquele erigido desde a Revolução Industrial no século XVIII, nasce outro paradigma na geração de riquezas, que levará finalmente à economia verde, gerando novos empregos e renda para combater a desigualdade social.

Acredito que, nessa construção, os países e as empresas que tomarem a dianteira das inovações tecnológicas sairão ganhando na competição internacional.Nós não podemos perder essa chance da história, transformando o Brasil numa verdadeira potência ambiental.

O tema é fundamental. Estamos em São Paulo preparando, através da Nossa Caixa Desenvolvimento, agora nossa agência de fomento, um amplo programa de financiamento, da ordem de R$ 1 bilhão, com juros reduzidos, para as empresas investirem na redução de suas emissões de GEEs.

Não adianta apenas bradar pelas mudanças ecológicas, nem definir metas vazias. É necessário incentivar os setores empresariais, na indústria, na agricultura e nos serviços, a promoverem as modificações necessárias à futura economia de baixo carbono.

No Brasil, sabidamente, o desmatamento representa a grande fonte de emissões de GEEs. Isso não pode continuar. Seja articulando para que o mecanismo conhecido como REDD (Redução de Emissões para Desmatamento e Degradação) se transforme em realidade, seja melhorando, em muito, a fiscalização ambiental na Amazônia, torna-se necessário estancar a devastação florestal, certamente a pior forma de crescer uma economia regional.

Quero, todavia, chamar a atenção para a importância da recuperação ambiental das áreas degradadas. Em São Paulo, onde viramos a página do desmatamento, estamos reflorestando as matas ciliares do território, protegendo rios, córregos e nascentes dágua.

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente já cadastrou 370 mil hectares de áreas em recuperação, dentro de uma meta que visa chegar a 2020 com um milhão de hectares recuperados. Devido à fotossíntese realizada nas plantas, o potencial de absorção de CO2 da atmosfera é notável, atingindo 65 milhões de toneladas, cerca de metade das emissões totais de São Paulo estimadas em 2005.

Na matriz energética, a “renovabilidade” paulista alcança 56% do consumo, contra uma média mundial de 13%. São Paulo produz 64% do etanol nacional e 25% do mundial. Utilizando-se da tecnologia dos veículos flex, o combustível alternativo avança, estimulada por uma redução no ICMS do Estado de 25% para 12%. Menos imposto, mais ambiente.

O ecodesenvolvimento, conforme o cunhou pioneiramente Ignacy Sachs - aliás, vale a pena ler seu livro autobiográfico, da Cia das Letras - depois batizado de desenvolvimento sustentável, exige uma nova compreensão sobre a relação entre o Homem e a Natureza. Agora, acrescido do aquecimento global, a imperiosa necessidade de redução nas emissões de GEEs aponta para uma verdadeira revolução. Precisamos nos preparar, em nome das gerações que ainda nem nasceram, para esse enorme desafio.

Pedidos Natalinos

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Essa aqui recebi pelo e-mail!

“Querido Papai Noel,

Em 2009 você levou o meu cantor e dançarino preferido: Michael Jackson;

Meu ator preferido: Patrick Swaize;

Minha atriz preferida: Farrah Fawcett…

 Só queria lembrar o senhor que o meu político favorito é o Lula, que fique bem claro!!”

Revolução dos Bichos

domingo, 20 de setembro de 2009

Interessante e bem-humorada matéria da TV Bandeirantes sobre os animais que têm “invadido” o Congresso Nacional. Certamente, são inofensivos se comparados a outros ratos, urubus, cobras, raposas e sanguessugas do selvagem habitat do Distrito Federal!

Sobre irresponsabilidade e intolerância

sábado, 5 de setembro de 2009

A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou, na última terça-feira, projeto que proíbe a venda de arguiles a menores de 18 anos. O resultado final é perfeitamente aceitável, já que a venda do tabaco, assim como a de bebidas alcoólicas, é notadamente proibida aos que ainda se encontram na minoridade legal.

Lamentável, porém, o texto original do Deputado Edson Ferrarini, que intentava proibir a venda de arguiles a menores de 21 anos. Acertada, conquanto óbvia, foi a emenda do Deputado Said Mourad que, com respaldo do plenário, ajustou a proibição para os menores de 18 anos apenas.

É preciso indicar, com reprovação, ao parlamentar Ferrarini a impossibilidade, ignorância e mesmo desnecessidade de seu projeto. A bem da verdade, trata-se de pura demagogia do deputado, que se auto-proclama “combatente do uso dos tóxicos”. Ocorre, entrementes, que o arguile, o cachimbo árabe, é produto fumígeno e a venda de tabaco já é vedada a menores e ponto. Não há mais o que falar.

Agora, querer proibí-la a cidadãos maiores de 18 anos? Extremamente grave um parlamentar desconhecer, ou ignorar, o mandamento, bastante claro e inequívoco, expresso no artigo 5º do Código Civil Brasileiro: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.

Sobre o arguile ou narguilé

O Narguilé é um cachimbo de água utilizado para fumar. Além desse nome, de origem árabe, também é chamado de hookah (na Índia e outros países que falam inglês), shisha ou goza (nos países do norte da África), narguilê, narguila, nakla, arguile, naguilé etc.

Há diferenças regionais no formato e no funcionamento, mas o princípio comum é o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. É tradicionalmente utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia.

Sua origem remonta ao Oriente. Uma das versões é a de que o narguilé teria sido inventado na Índia do século XVII, pelo médico Hakim Abul Fath, como um método para retirar as impurezas da fumaça.

Na mão dos árabes, o cachimbo de água foi rapidamente incorporado para ser apreciado em grupo, acompanhado de café, chá, e prosa. Existem evidências históricas de narguilés na Pérsia e na Mesopotâmia. As peças mais primitivas eram feitas com madeira e um coco que fazia o lugar do corpo (o nome origina-se do persa nārgil, que significa “coco”).

Com o desenvolvimento das civilizações e as expansões territoriais (principalmente dos países europeus), o narguilé, já similar ao que conhecemos hoje (com base de cerâmica ou porcelana e corpo de metal), começou a ser divulgado, e trazido junto com especiarias como cravo e canela.

As cruzadas também auxiliaram a espalhar o narguilé pelo mundo, quando os guerreiros sobreviventes traziam-no para seus países. No Brasil, o narguilé foi trazido por alguns imigrantes europeus, e divulgado pelas colônias turca, síria, libanesa e judaica.

Há um fumo especial para narguilés, usualmente feito com tabaco, melaço (um subproduto do açúcar) e frutas ou aromatizantes. Os aromas são bastante variados; encontra-se de frutas (como pêssego, maçã-verde, coco), flores, chocolate, mel e até mesmo Coca-Cola.

Em 1869, quando estava no Egito, acompanhando a inauguração do Canal de Suez, Eça de Queiróz, observou, nas paisagens do deserto, que “as tendas abertas por diante deixavam ver os grandes lustres pendentes, os tapetes da Meca e de Damasco, onde se encruzavam as soberbas figuras dos xeques, fumando gravemente o narguilé.”

No livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, a personagem da lagarta azul é descrita fumando narguilé. No episódio do desenho Pica-Pau, “Briga em Marrocos”, Zeca Urubu e Pica-pau também fumam o cachimbo árabe.

Liberdade implica em responsabilidade; a irresponsabilidade, em intolerância.

Sobre a questão do fumo, fuma quem quer. A liberdade é a característica maior do regime democrático. O limite da liberdade de um indivíduo, naturalmente, é a liberdade do outro, daí a adequação da chamada lei antifumo paulista, que proíbe o uso de tabaco em lugares públicos de uso coletivo, visando a saúde pública e o direito dos não-fumantes de não fumar. Mas a lei, acertadamente, e respeitando a Constituição, não proíbe, pois nem poderia, o uso do tabaco, respeitando o direito dos fumantes.

Ante tal assunto, aliás, faço questão de reproduzir aqui as palavras do filósofo Fernando Savater, ao discorrer sobre irresponsabilidade e intolerância nos regimes democráticos:

Quanto mais se proíbe e se persegue uma tentação, mais tentadora ela fica. Na maioria das vezes, enquanto não nos apontam o fruto proibido, não nos damos conta do quanto ele é apetitoso.

(…)

Lembro-me de que certa vez ouvi no rádio uma entrevista com uma senhora que, com certo orgulho, se declarava “ludopata”, isto é, viciada em jogos de azar, em seu caso particular em máquinas de caça-níqueis. Respondendo às perguntas do locutor, a senhora contava o fascínio que exerciam sobre ela as máquinas dos bares, sua musiquinha embriagadora, a emoção de ver se acertava;

A boa senhora jogava o dinheiro da família, pedia emprestado, não sei, até as calcinhas ela apostava no danado do caça-níqueis. E acabava seu relato clamando, com virtuosa indignação: “Essas máquinas fatais deveriam ser proibidas!”

O locutor, que não parecia nenhum luminar, manifestava sua aprovação, em vez de de lhe dizer simplesmente: “A senhora é que não deveria jogar!” Muita gente entra nos bares em que há caça-níqueis e não joga, ou joga apenas umas moedinhas para se distrair; mas a senhora queria que proibissem a todo o mundo o objeto que causava problemas a ela e a pessoas tão cretinas como ela. A culpa era da máquina, não de sua mania irresponsável…

Abundam casos semelhantes, e o mais grave, por seus efeitos sociais, é o das drogas. Desde que sua proibição e perseguição se institucionalizou como uma autêntica cruzada internacional, transformaram-se no negócio mais lucrativo do século (não há nada tão proveitoso economicamente quanto as tentações) e cada vez há mais delitos relacionados com elas, mais gente sem escrúpulos que as trafica, mais mortes por adulteração ou overdose de um produto sem controle (imagine o que aconteceria se, cada vez que tomasse uma aspirina, você não soubesse que quantidade de ácido acetilsalicílico há no comprimido, nem se contém outras substâncias diferentes, como estricnina ou cimento), mais incautos que aspiram a chegar ao paraíso ou ao inferno do proibido para escapar do cotidiano etc.

Não seria mais eficaz descriminá-las - o que acabaria com o negócio das máfias que as manipulam - e informar sem fingimento nem pudores sobre as consequências de seu uso e, sobretudo, de seu abuso? Lembre-se do que aconteceu nos Estados Unidos com a malfadada Lei Seca: antes, os bêbados só tinam o problema do álcool; depois, passaram a ter  problema do álcool… e de Al Capone.

As tentações não podem ser combatidas com base em proibições, porque as proibições as fomentam e, além do mais, prejudicam as pessoas que, empregando melhor sua liberdade, são capazes de usar as coisas sem abusar delas. Sempre haverá quem utilize o que está a seu alcance (a química, o erostismo, a política, a religião, qualquer coisa) para se autodestruir ou para se castigar por seus pecados.

Mas a única coisa que podemos fazer, se quisermos uma sociedade adulta e não-repressiva, é educar para a temperança e preparar para a prudência os indivíduos livres. Será que só porque há quem se jogue do sexto andar devemos construir apenas casas térreas?

Ouviram do Youtube os internautas perplexos de uma Vanusa nada sóbria o canto pertubante

domingo, 30 de agosto de 2009

O parnasiano Joaquim Osório Duque Estrada e o compositor Franscisco Manuel da Silva devem ter se revirado nos túmulos com o assassinato de seus versos e música - juntos, nada menos que o Hino Nacional Brasileiro - pela cantora Vanusa, em evento realizado em março deste ano na Assembleia Legislativa de São Paulo e que, cinco meses depois, virou hit na internet.

Na quinta estrofe do hino, em vez de cantar “és belo, és forte, impávido colosso”, uma desafinada Vanusa, que não parecia nada sóbria, cantou “és belo, és forte, és risonho e límpido”, palavras que fazem parte da estrofe anterior. O erro em uma parte da música acabou por atrapalhar todo o resto, configurando em verdadeiro vilipendio o ato.

Na tentativa de disfarçar e consertar o erro, Vanusa repete algumas estrofes e perde o ritmo da música. O erro é percebido pelo público presente na cerimônia, que, desconfortado, aplaude a cantora antes do fim do hino na tentativa de encerrar a apresentação. Mas Vanusa continua cantando, e fora do ritmo.

Algumas estrofes adiante, o mestre de cerimônia do evento vai ao microfone e, antes do encerramento do hino, diz: “Agradecemos a presença da cantora Vanusa”. Ao fundo, Vanusa continua cantando. O orador então continua os agradecimentos e Vanusa encerra sua participação, deixando o hino inacabado.

Sinceramente, não sei o que houve… Vanusa foi uma grande cantora na época da Jovem Guarda, mas nada justifica sua perfomance. Em sua frente havia a letra do hino que, em tese, todos deveriam saber de cor. Bastava ter lido e cantado. Será que ela não treinou antes? Se o desastre, porém, se deu devido ao uso de bebida ou de outra substância - como sugeriram alguns - então a falta é ainda mais grave.

Não custa lembrar que, de acordo com o Capítulo V da Lei 5.700 (01/09/1971), que trata dos símbolos nacionais, durante a execução do Hino Nacional, todos devem tomar atitude de respeito, de pé e em silêncio. Civis do sexo masculino com a cabeça descoberta e os militares em continência, segundo os regulamentos das respectivas corporações.

Além disso, é vedada qualquer outra forma de saudação (gestual ou vocal como, por exemplo, aplausos, gritos de ordem ou manifestações ostensivas do gênero, sendo estas desrespeitosas ou não).

Segundo a Seção II da mesma lei, execuções simplesmente instrumentais devem ser tocadas sem repetição e execuções vocais devem sempre apresentar as duas partes do poema cantadas em uníssono.

Portanto, em caso de execução instrumental prevista no cerimonial, não se deve acompanhar a execução cantando, deve-se manter, conforme descrito acima, silêncio.

Machado de Assis de costas para Sarney

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Disponibilizo aqui crônica do brilhante Ignácio de Loyola Brandão sobre a vergonhosa e anti-democrática conduta de José Sarney, que, como Presidente do Senado, deveria seguir os princípios da impessoalidade, da moralidade e da legalidade, mas não o faz; que, como “escritor” e membro da ABL, deveria defender a liberdade de opinião e de imprensa, entrementes, impõe inadmissível censura a meios de comunicação.

Machado de Assis de costas para Sarney

“Quase fiquei cego no começo da semana. Ao terminar uma pesquisa, já com o auxílio de uma lupa, meus olhos ardiam. Procurei, procurei e não encontrei o que desejava, o nome de José Sarney. Durante horas, foi necessária muita atenção para seguir um imenso texto linha a linha. Precisei de uma régua para não me perder. Curvado sobre a mesa, busquei o nome de José Sarney e não está ali.

Na segunda-feira, tive uma, digamos, inspiração, levantei-me às 5 horas e fui para a minha biblioteca. Vocês já acordaram cedo e foram para a mesa, contemplando o dia nascer na cidade? Experimentem, como dizia aquele anúncio de cerveja.

Decidi buscar nos meus arquivos o material que tenho, graças a Ana Maria Martins, doce mulher, organizadíssima, daqueles dias de janeiro de 1977. Momento importante na história do Brasil, quando 1.046 intelectuais de todos os calibres, de todos os setores artísticos, de todas as universidades, revoltados, saturados, deram um grito e redigiram o manifesto que percorreu o País de Manaus a Passo Fundo colhendo assinaturas.

Não havia ainda internet, nem essa facilidade de comunicação. Foi por telefone, fax, cartas, telegramas. Como um rastilho de pólvora aceso, a indignação moveu as pessoas contra a censura. Em plena ditadura, ergueu-se o grito contra a censura que os militares, por meio de Armando Falcão, que nunca tinha nada a comentar, impunha ao Brasil.

Aquele homem, ministro de uma suposta Justiça, assinava decretos a torto e a direito proibindo livros, filmes, canções, peças teatrais. O que passasse pela frente Falcão vetava.

Em novembro de 1976, três livros foram proibidos numa canetada só: Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, Aracelli, Meu Amor, de José Louzeiro, e o meu Zero. Pá-pum! Recolham-se essas obras atentatórias à moral e aos bons costumes, dizia o decreto que nos recolheu.

O documento contrário à censura foi levado a Brasília, o ministro da suposta Justiça se recusou a receber a comissão, mandou um preposto. Mas o grito tinha sido dado, a revolta iniciada. De alguma forma, ainda demorou um tempo, dois anos, até que a censura abrandasse.

Um trecho do manifesto dizia:

“Nós, para quem a liberdade de expressão é essencial, não podemos ser continuadamente silenciados.”

E outro:

“Recusamo-nos a abdicar de nossa identidade nacional e da nossa própria memória, repelindo a convivência com a passividade, a apatia, o falso registro de nossa realidade. é necessário a revogação de atos com efeito de caráter punitivo da atividade intelectual. Os destinos de um País não são apenas determinados pelos seus governantes. é preciso consultar constantemente o povo, permitir que, em seu nome, seus artistas possam se expressar.”

O que eu procurava entre nomes de primeira grandeza? Que passavam por Antonio Candido, Gilda de Mello Souza, Jorge Amado, Sérgio Buarque de Holanda, Ivan Cavalcanti Proença, Josué Guimarães, João Ubaldo Ribeiro, Orígenes Lessa, Cícero Sandroni (atual presidente da ABL), Rubem Braga, Clarice Lispector, Murilo Rubião, Rui Mourão, Luis Martins e assim, nesse nível, outras 1.032 pessoas.

Percorri as oito colunas de uma página compacta do Jornal do Brasil do dia 26 de janeiro de 1977, que estampou todas as assinaturas em um tipo miudíssimo, para poder caber. Foram horas de paciência em que minha vista lacrimejou, doeu.

Não encontrei entre os intelectuais a assinatura do escritor José Sarney. Ele não se revoltou contra a censura, porque estava ligado ao poder. Esse homem que foi recebido na Academia Brasileira de Letras no lugar de José Américo não soube ter a atitude exemplar de seu antecessor. Consultem a história, vejam quem foi José Américo. Foi até ironia sucedê-lo.

Agora, quando O Estado de S. Paulo é censurado para proteger um filho de Sarney, o presidente do Senado apoia a censura, a proibição, o veto, o ato espúrio que cancela a liberdade de expressão. Fui lá atrás ver se ele, como escritor, chegou a defender essa liberdade. Não, não defendeu num momento em que os que estavam ameaçados se levantaram. A censura sempre foi o braço direito do poder ditatorial, do totalitarismo de esquerda ou direita.

Escrevo esta crônica porque sei o que é ser censurado, ter os braços quebrados, ser amputado, ter a boca amordaçada. Essa liberdade não interessa ao presidente do Senado, que tem vários livros publicados e uma cadeira na casa de Machado de Assis.

Ele, como legislador e intelectual, deveria defender a democracia, a livre expressão. Acho que quando ele chega para a sessão da ABL, a estátua de Machado dá-lhe as costas, para não sentir vergonha.”

Os que sabem

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vale ler esta crônica, do sempre genial Luís Fernando Veríssimo, publicada no Estadão de hoje!

Os que sabem

“Já se disse que o mundo está nesse estado porque as únicas pessoas que sabem o que deve ser feito, os barbeiros e os motoristas de táxi, estão trabalhando em barbearias e dirigindo táxis em vez de nos governar.

Barbeiros e motoristas de táxis têm a solução para tudo e é lamentável que não estejam em posições de comando, onde suas análises e receitas teriam consequências práticas.

No Brasil, barbeiros e motoristas de táxis deveriam substituir governantes e políticos e decidirem os rumos da nação de acordo com as acuradas exposições que nos fazem da realidade nacional, mesmo sem serem solicitadas.

É claro que a substituição de políticos por barbeiros e motoristas de táxis poderia trazer uma contrapartida assustadora: a substituição de barbeiros e motoristas de táxi por políticos desempregados.

Imagine-se num táxi dirigido pelo Sarney, espremido no banco de trás com toda a família dele, ou numa cadeira de barbeiro, sem possibilidade de fuga, obrigado a ouvir o Mão Santa falando sem parar enquanto corta seu cabelo — ou vendo o Collor se aproximar com aquele seu olhar furioso e uma navalha.

Imagine-se numa corrida longa com o Suplicy na direção, cantando. Imagine a confusão no trânsito com a indecisão dos motoristas entre direita e esquerda, muitas vezes passando de um lado para o outro sem qualquer sinalização.

Políticos substituindo motoristas de táxi e barbeiros aumentariam os engarrafamentos e os acidentes, inclusive os de orelhas cortadas sem querer.

E no fim da corrida em táxi dirigido por políticos ainda haveria a questão do pagamento: o preço seria o que aparece no taxímetro mais um adicional por estresse, auxílio moradia, subsídio para alimentação, verba de representação, diária de viagem…

Apesar deste perigo, acho que vale a pena proporcionar aos barbeiros e motoristas de táxi a oportunidade de darem um jeito no Brasil e no mundo.

A teoria, e a certeza das suas convicções, eles já têm. E se a atual crise do sistema financeiro mundial nos ensinou alguma coisa é jamais confiar o que quer que seja aos profissionais da matéria.

Os economistas falharam em tudo, das previsões às soluções. De agora em diante deve-se proibir os economistas de se meterem na economia. Deve-se dar vez aos amadores e aos palpiteiros. Que venham os leigos! Com os barbeiros e os motoristas de táxi à frente.”

E, falando em barbeiro, por que não ouvir a bela ária Largo al Factotum, na interpretação definitiva de Hermann Prey?