Arquivo da Categoria ‘CONHEÇA E RECONHEÇA’

O Palacete Conde de Sarzedas e o prédio do Tribunal de Justiça de São Paulo

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Foto de Marco Vieira

O Palacete

Em fins do século XIX, a região conhecida hoje como o bairro da Liberdade, foi ocupada de fato. Dentre as herdades tradicionais que ali existiam, estava a Chácara Tabatinguera, propriedade de Dona Anna Maria de Almeida Lorena Machado.

Foi ela quem mandou abrir, em suas terras, ruas como a Conselheiro Furtado e Conde de Sarzedas, além de mandar construir a Capela de Santa Luzia que, após a sua morte, em 1903, foi doada pelos herdeiros à Cúria Metropolitana.

Anteriormente a chácara havia pertencido a D. Francisco de Assis Lorena, filho de D. Bernardo José de Lorena, governador da capitania de São Paulo entre 1788 e 1797, vice-rei da Índia entre 1806 e 1816, e 5º Conde de Sarzedas, título nobiliárquico criado em 1630 pelo rei Felipe IV de Espanha.

Foi Luís de Lorena Rodrigues Ferreira, descendente do Conde de Sarzedas e deputado por São Paulo, quem mandou construir o Palacete, provavelmente em 1891. O palacete era um presente para sua futura esposa, a jovem francesa Maria Luiza Belanger Rodrigues Ferreira (também denominada de Marie Louise Dallanger).

Conta-se que, com 60 anos de idade e apaixonado pela garota de 18 anos, Luiz mandou levantar a edificação que ficou conhecida como “Castelinho do Amor”. Vitrais franceses, madeiras nobres, ladrilhos hidráulicos, lustres importados compunham o cenário idealizado por Luiz Ferreira para a sua amada.

O casarão, também, estava localizado em local privilegiado: no topo de uma colina. Subindo por uma escada estreita, chegava-se a um mirante, de onde se podia avistar todo o vale do Tamanduateí.

Hoje, a vista da construção, a partir do mirante,  pode-se ver, ainda, a Catedral da Sé e o Palácio da Justiça.

Após a morte do proprietário, Maria Luiza, seu filho e nora ainda permaneceram no Castelinho até 1939. Depois desse período, o local abrigou de tudo: igreja evangélica, cortiços, invasões, até que em 2001 foi aberto o processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.

Quando a Fundação Carlos Chagas, atual proprietária do terreno, procurou o arquiteto Ruy Ohtake para projetar a construção do edifício que hoje abriga os Gabinetes dos Desembargadores de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (Edifício Nove de Julho), o arquiteto Samuel Kruchin assumiu as pesquisas para o restauro do antigo casarão.

Em 2001 foi aberto o processo de tombamento e, por meio da Resolução nº 15/2002, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP – tombou a edificação conhecida como Palacete Conde de Sarzedas.

O projeto de restauro do Palacete iniciou-se em 2002. Foram realizadas obras de reforço das fundações e cintamento em concreto sobre as paredes do pavimento superior, correções de infiltrações de água na cobertura, recuperação da fachada, pinturas e demais elementos que compõem o conjunto arquitetônico, o que perdurou até janeiro de 2006.

O local atualmente abriga o o Centro Cultural do Museu do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, que guarda relíquias do Tribunal, como togas de desembargadores que se aposentaram, objetos antigos, como máquinas de escrever, e documentos históricos sobre jurisprudências do Tribunal de Justiça.

O Edifício

Foto de Vera Scharan

Idealizado pela Fundação Carlos Chagas para ser o novo espaço do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o Edifício Conde de Sarzedas possui 29.400m² de área construída, num terreno 2.388,00m².

Sua altura total é de 109,00 m (do piso do 4° Subsolo à Cobertura da Casa de Máquinas); A Área do Pavimento Tipo é de 881,00m²; Os 4 Subsolos destinados a pisos para garagens abrigam um total de 260 veículos em suas vagas.

A fachada em pele de vidro tem formas côncavas e convexas. Na face curva, os vidros são azuis, enquanto nas outras uma combinação de tons define uma marcação horizontal: opacos na frente de laje, fumê no vão-luz e azul no peitoril. No total, foram usados 11.750m² de vidros laminados para a obra.

Com 106 metros de altura, lajes em balanço, pilares de transição, fachadas curvas e retas e parede-diafragma, o prédio enfrentou, na construção, grandes desafios e elevado grau de complexidade.

Responsável pela obra, a construtora Blokos programou os trabalhos de forma a tornar o processo ágil e garantir a qualidade, evitando desperdícios, além de organizar a logística para não interferir no trânsito da região central de São Paulo.

A área central de São Paulo influenciou a arquitetura e o nome do edifício. Como o casarão deveria ser preservado, o arquiteto Ruy Ohtake desenhou uma torre de linhas curvas e fachada-cortina, compondo recuos que envolvem a antiga edificação.

Um arranha-céu espelhado de 29 andares é o responsável pela recuperação de um casarão de 110 anos, escondido em um canto da cidade - na Rua Conde de Sarzedas, travessa da Rua Conselheiro Furtado, atrás do Fórum João Mendes, no centro de São Paulo. O Edifício abriga o Museu do Tribunal de Justiça e passou a ser um pólo turístico muito visitado.

Sem o Castelinho, o edifício Conde de Sarzedas seria apenas mais um aranha-céu  perdido e anônimo entre milhares de outros, na capital paulista.

O Jockey Club de São Paulo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Jockey Club de São Paulo é uma associação civil, dirigida por uma diretoria eleita diretamente pelos sócios, com mandato de três anos, em geral começando e terminando no mês de março.

Além do hipódromo de Cidade Jardim, onde acontecem as corridas, o clube possui uma sede social na região central da cidade (rua Boa Vista), a Chácara do Ferreira (antigo centro de preparação de cavalos), e o Centro de Treinamento de Campinas, onde estão alojados centenas de cavalos de corrida e que, até 1973, funcionou como um hipódromo independente.

Fundado em 14 de março de 1875 com o nome de Club de Corridas Paulistano, contando com 73 sócios e um capital de 9 contos e 990 mil réis. A primeira corrida aconteceu em 29 de outubro de 1876, no hipódromo da Moóca, na rua Bresser. Somente mais tarde, em 25 de janeiro de 1941, foi inaugurado o atual hipódromo da Cidade Jardim.

De um encontro que reuniu no salão do Club Paulista, na antiga rua do Rosário, ilustres representantes da sociedade paulistana da época, o nome de Rafael Aguiar Paes de Barros se sobressaiu como idealizador do Clube de Corridas Paulistano. A ata dessa reunião foi redigida por Antônio da Silva Prado, neto do Barão de Iguape e filho de Dona Veridiana – o futuro Conselheiro Antônio Prado.

Com direito a banda de música e a presença de numeroso público, os dois cavalos inscritos na primeira corrida, Macaco e Republicano, inauguraram as raias instaladas nas colinas da Moóca em 29 de Outubro de 1876. Republicano era o favorito, mas Macaco levou o Primeiro Prêmio da Província.

Atravessando diversos períodos de importância para o Estado e para o País, como a Abolição dos Escravos, a Proclamação da República e, mais tarde, as Revoluções de 24, 30 e 32, o Jockey Club sofreu algumas suspensões de suas corridas, mas, mesmo assim, foi se firmando como protagonista da história da cidade de São Paulo.

Foi de lá, também que, em 28 de abril de 1912, levantou vôo o aeroplano pilotado por Edu Chaves que tentou, pela primeira vez, fazer o percurso Rio-São Paulo via aérea. Já em 1920 passa a ter a capacidade de abrigar 2.800 espectadores e, em 1923, é criado o Grande Prêmio São Paulo, até hoje uma das disputas mais importantes do turfe brasileiro.

A atual fase do Jockey começa em dezembro 1940, com a última disputa realizada no prado da Moóca, vencida pelo cavalo Xococó. Em 25 de Janeiro de 1941 é inaugurado, do outro lado da cidade, o novo e moderno hipódromo de Cidade Jardim. A sede social do clube, no entanto, sempre esteve próxima ao seu local de origem. Da rua do Rosário mudou-se para a rua São Bento, depois para a rua 15 de Novembro, Praça Antônio Prado e, finalmente, nos anos 60, para a rua Boa Vista, 280.

Hoje, o Jockey Club de São Paulo abriga cerca de 1.500 animais puro-sangue inglês de corrida, mais os 500 cavalos que estão alojados nos centros de treinamento e que ajudam a formar os programas de corridas. O hipódromo conta com quatro pistas, uma de grama com 2.119 metros, e outra de areia, com 1.993 metros de volta fechada, que são utilizadas para corridas oficiais. Além disso, mais duas pistas auxiliares de areia, para treinos.

Cânter Bar

Instalado nas dependências do Jockey Club de São Paulo, o Cânter Bar é um reduto daqueles que gostam de corrida de cavalos e procuram um lugar bonito e com bom atendimento. O próprio nome do bar refere-se ao galope de apresentação dos cavalos antes da competição.

Nos dias de corrida (segundas à noite e sábados e domingos à tarde), é possível assistir aos páreos nas mesinhas da varanda, de frente para o hipódromo. No local, há até um guichê próprio para apostas.

O Happy Hour é bastante badalado. Frequentado diariamente por um público jovem e bonito, os visitantes se espalham pelas disputadas mesinhas do terraço para curtir a belíssima paisagem. Eventualmente shows de MPB, Pop Rock ou Samba agitam o local. Mas o grande sucesso mesmo são as terçanejas, terças-feiras embaladas pela boa música sertaneja!

A casa oferece almoços à la carte todos os dias (exceto quarta-feira), além de diversas opções de petiscos, sanduíches, drinks, além da famosa caipirinha Cânter. Da cozinha saem pratos franco-italianos preparados pelo chef Pedrinho. A casa também faz muitos eventos, aniversários e festas de grandes empresas.

A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano

sábado, 1 de agosto de 2009

A Fundação Maria Luisa e Oscar Americano foi instituída por Oscar Americano, em março de 1974, dois anos após o falecimento de Maria Luisa Ferraz Americano, doando à cidade de São Paulo, além da casa em que viveram com os filhos durante 20 anos, a coleção de obras de arte e extenso parque.

Os seis anos seguintes foram dedicados à reformulação da antiga residência da família, visando transformá-la na atual sede. A partir de 1980, acervo arquitetônico, paisagístico e artístico tornaram-se acessíveis ao público, passando a constituir um dos espaços culturais e de lazer mais importantes da cidade de São Paulo.

Parque e casa são projetos representativos do movimento moderno de arquitetura. O primeiro, de autoria de Otávio Augusto Teixeira Mendes, precedeu à construção da casa, concebida por Oswaldo Arthur Bratke.

Reunindo iniciativas de preservação do meio-ambiente e da memória brasileira, a Fundação vem reafirmando, ao longo de sua existência, o compromisso com a educação e a cidadania presente no gesto de seu idealizador.

O contrato inicial estabelecia que os serviços dos construtores seriam pagos “por árvore de qualidade, plantada e vingada”. O parque foi concebido para abrigar, em sua maioria, espécies nativas da flora brasileira.

Tem aproximadamente 25.000 árvores, entre as quais angicos, sibipirunas, pau-ferro, pau-brasil e jacarandás. Ar puro, tranqüilidade e cenário convidam o visitante a caminhar por alamedas e esplanadas, mergulhando assim num retrato vivo e condensado do patrimônio natural brasileiro.

Preservando a natureza, reunindo peças e documentos ligados à história do Brasil, realizando cursos, concertos e outras atividades culturais, a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano oferece aos visitantes um panorama do passado e do presente do País. Ampliado e enriquecido continuamente, o espaço da Fundação permite uma visão das diversas etapas de nossa história.

Nela, é possível visitar um acervo constituído por pinturas desde o século XVII, mobiliário, prataria, porcelana, tapeçaria e arte sacra do século XVIII. A coleção de arte e objetos históricos foi iniciada com peças pertencentes à família Americano, tendo sido gradualmente ampliada.

Hoje preserva e retrata grande parte da História do Brasil, compondo-se de três núcleos principais: Brasil Colônia, formado por pinturas do século XVII – entre estas, obras do holandês Frans Post – e por objetos e imagens do século XVIII; Brasil Império, que reúne retratos a óleo e objetos da época imperial brasileira; Mestres do Século XX, formado por obras de alguns dos mais destacados artistas brasileiros, entre eles Candido Portinari, Brecheret, Lasar Segall e Di Cavalcanti

O que confere unidade à extensa abrangência  temporal do acervo (cerca de quatro séculos), bem como à sua amplitude temática, é o sentimento de brasilidade que nele está presente e que permanece vivo entre os responsáveis por sua continuidade.

Com mais de 75 mil m², que combina arquitetura, gastronomia, natureza e arte, no número 4.077 da Avenida Morumbi, a discreta e charmosa Fundação Maria Luisa e Oscar Americano é, sem dúvida, uma excelente opção de passeio para quem busca cultura e entretenimento em São Paulo.

Os Fundadores

Oscar Americano de Caldas Filho (São Paulo, 27 de março de 1908 — São Paulo, 15 de junho de 1974) era sobrinho do cientista Dr. Vital Brazil e, pelo ramo de sua avó paterna, Maria Carolina Pereira de Magalhães, tinha consanguinidade com o Protomartir da Independencia do Brasil, Joaquim Jose da Silva Xavier - o Tiradentes.

Foi um engenheiro , mecenas e grande empresário brasileiro dono da empresa CBPO. Em 1974, dois anos após a morte de sua esposa, Dona Maria Luísa Americano, criou a Fundação Maria Luisa e Oscar Americano onde reuniu importante acervo de obras de arte, móveis e objetos brasileiros de valor histórico, especialmente do periodo Imperial brasileiro.

Maria Luisa nasceu no Rio de Janeiro a 30 de abril de 1917, filha do Dr. Bernardo José Ferraz e de Dona Maria Isabel Dale Ferraz. O cumprimento do dever, o senso de hierarquia e a luta pelas causas justas foram princípios que marcaram sua educação. Em 1937, ao terminar os estudos secundários, casou-se com Oscar Americano de Caldas Filho.

Quando o casal decidiu aproveitar a chácara de recreio, no então distante bairro do Morumbi, para ali construir a residência da família, Dona Maria Luisa foi a responsável pela direção do projeto, tendo participado da escolha das equipes de construção, do plantio de árvores e de todas as outras providências. Nessa casa, viveu durante 20 anos ao lado do marido e dos filhos.

Serviço:

Fundação Maria Luisa e Oscar Americano
Avenida Morumbi, 4.077 - Morumbi
Horário do museu: de terça a domingo das 10h às 17h30
Horário do parque: de terça a domingo das 10h às 17h30
Preços: R$10 (inteira) e R$ 5 (estudante e idosos). Salão de chá: R$ 50
Telefone: (11) 3742-0077
Site: http://www.fundacaooscaramericano.org.br/

O Palácio das Indústrias (Espaço Catavento)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Localizado no centro da cidade de São Paulo, figura esplêndido o Palácio das Indústrias, prédio em estilo eclético, construído ao longo de 13 anos, entre 1911 e 1924, quando São Paulo tinha apenas cerca de 100 mil habitantes.

Aproveitando a enorme área disponível com a retificação do Tamanduateí, foi projetado por Domiziano Rossi, sócio do Escritório Ramos de Azevedo, para ser um local de exposições, pois São Paulo já despontava como centro de produção. A Represa Billings proporcionaria a energia elétrica que iria movimentar a famosa indústria paulista. 

O Palácio possui  estrutura metálica importada no seu prédio principal, que é bem visível no sótão. Utiliza tijolo aparente como principal acabamento e tem inúmeros elementos decorativos, uns ligados à produção, como touros, e outros não, como cachorros, e seteiras em vários cumes de muradas. 

Agregaram-se um verdadeiro claustro, e, depois, uma longa galeria, com dois anexos mantendo uma certa semelhança de estilo. Tem um excepcional porão, que encanta os que o visitam. A área total, incluindo varandas cobertas, é de cerca de 8 000m².

Foi Palácio de Exposições, mas com o desenvolvimento acelerado de São Paulo, passou a outros usos, como delegacia de polícia, com prisões no claustro, Assembléia Legislativa e sede da Prefeitura de São Paulo.

Para grande alegria e aproveitamento da população, o Governo do Estado de São Paulo o dedicou ao Catavento, um fim nobre e apropriado. Retorna assim à sua finalidade original, exposições . A adaptação do prédio respeitou o tombamento integralmente.

Espaço Catavento

Funciona hoje no Palácio das Indústrias, desenvolvido com o apoio integral do Governo de São Paulo, um grande e magnífico espaço cultural e educacional que apresenta ao público, especialmente o jovem, a ciência e os problemas sociais, de um modo atraente e participativo. Tem 4 seções, em 4000m²: Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Trata-se do Espaço Catavento.

O público visitante deve clicar o botão Visitas Espontâneas. As escolas públicas e particulares terão visita de grupo monitorada com agendamento, cujo roteiro atenderá o currículo escolar. Clique o botão Visitas de Grupos Solicitações.

Por proposição do Governo de São Paulo, em meados de 2007, foi criada a sociedade civil: Catavento Cultural e Educacional, que recebeu recursos e o excelente Palácio das Industrias, para mostrar o mundo das ciências e as necessidades sociais de modo interessante.

Optou-se por procurar no Brasil os projetos mais adaptáveis, dentro da lógica geral, e dividiu-se a área entre eles, prestigiando-se grandes instituições e especialistas em cada campo.

O Catavento proporciona uma visita alegre, dá conhecimentos básicos de cada tema ao público geral, e juvenil em particular e participa do Programa da FDE - Lugares de Aprender da Secretaria da Educação.

Alguns destaques do Catavento:

Um prisma mostra a decomposição da luz branca nas sete cores que vemos no céu.

O visitante pode entrar numa Bolha de Sabão ou ainda é possível, sem tocá-la,ver uma bexiga estourar.

A instalação “Eletromagnetismo” deixa os cabelos em pé, literalmente!

Na instalação de “Mecânica” é possível ter essa sensação de girar até fica tonto.

Salão Azul - o espaço foi preservado conforme o projeto de restauro realizado por Lina Bo Bardi, em 1992, é a parte mais interativa do espaço. Nele há:

Jogos de perguntas e respostas com temas atuais, como aculturação de povos indígenas; o painel Portinari, no qual, com a ajuda de um pincel com sensor infravermelho, o visitante “pinta” a parede, revelando obras do pintor e informações sobre os fatos históricos e a galeria de personagens históricos, na qual o visitante escala uma parede e aproxima-se de retratos de personagens como Gengis Khan, Julio Cesar e Ghandi, que contam suas vidas e aventuras e História das Histórias, um jogo em que cada participante deve tomar decisões estratégicas sobre temas da História Mundial.

Uma maquete de 1,2m de diâmetro mostra detalhes do Sol. Ao contrário do que percebemos, a superfície do Sol é repleta de rugosidades e estruturas granulares.

Dezenas de fibras ópticas simulam o céu de uma noite estrelada de inverno em São Paulo. Os visitantes se acomodam em pufes e, com a ajuda de monitores, fazem o reconhecimento das principais constelações utilizando uma carta celeste.

Com tecnologia desenvolvida pela Poli/USP, é possível fazer uma viagem aos planetas, às Luas do Sistema Solar e satélites artificiais que orbitam a Terra.

Fragmento de meteorito encontrado na Argentina. Acredita-se que ele caiu na Terra há cerca de 6 mil anos. Foi comprado em Paris, de um especialista no assunto.

O visitante se posiciona em uma marcação e tem a visão do cruzeiro do sul conforme a sua altura. Isso mostra que o desenho formado pelas constelações seria diferente se estivéssemos em outro lugar do Universo.

Uma série de botões pode ser acionada na Bandeira do Brasil para que o visitante descubra a qual estrela corresponde aquele Estado.

Uma caverna que reproduzida de forma: com formações e sons comuns em cavernas.

Aquários de água salgada, anêmonas, corais e peixes carnívoros e venenosos

É possível conhecer as estruturas do corpo humano em imagens tridimensionais: projeto realizado pela Faculdade de Medicina da USP.

Instalação com 700 borboletas amazônicas

Canto dos pássaros: o visitante pode selecionar pássaros em uma tela de computador e escutar, com fones de ouvidos, os respectivos cantos

Aranhas e escorpiões podem ser observados através de lupas.

Crianças podem observar simultaneamente, com auxílio de um monitor, as estruturas celulares num microscópio com aumento de até 1000 vezes.

Um prisma mostra a decomposição da luz branca nas sete cores que vemos no céu.

O Passeio Digital mostra o Rio de Janeiro em 3D

Na Nanoaventura, divididos em grupos, os visitantes realizam uma competição de conhecimento e agilidade a respeito de microorganismos e objetos minúsculos.

No Laboratório de Química, monitores e visitantes realizam experiências simples

No espaço Prevenindo a Gravidez Juvenil o jovem visitante apreende sobre a prevenção da gravidez e DSTs. As dinâmicas da sala são realizadas pelo Instituto Kaplan. Reservado a jovens maiores de 13 anos.

Serviço:

Espaço Cultural da Ciência Catavento

Onde: Palácio das Indústrias - Parque Dom Pedro II, região central da capital
Quando: De terça a domingo, das 9h às 17h (bilheteria fecha às 16h)
Quanto: R$ 6,00 e meia-entrada para estudantes e idosos.
Idade mínima para visitação: recomendado para crianças a partir de seis anos.
Como chegar: informações no site www.cataventocultural.org.br/mapas.asp
Acesso por transporte público: estação de metro Dom Pedro II e terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II
Estacionamento: capacidade para 200 carros.
Infraestrutura: acesso para pessoas com deficiência locomotiva

O Parque da Juventude

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Localizado na área do Carandiru, onde funcionava a Casa de Detenção, o Governo do Estado criou o Parque da Juventude, um projeto em parceria com a Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Turismo.

A área, de 240 mil metros quadrados, conta com centros cultural, esportivo, educacional, de saúde, desenvolvimento individual e coletivo e de lazer. Sua construção foi dividida em três fases: Parque Esportivo, Parque Central e Parque Institucional.

Durante o período de desativação do Carandiru, o Governo do Estado, na gestão de Geraldo Alckmin, promoveu um concurso público para escolha do projeto arquitetônico para o Centro Cultural e o parque.

O grupo vencedor foi o escritório do arquiteto Gian Carlo Gasperini, o qual responsabilizou o escritório da arquiteta-paisagista Rosa Grena Kliass com o desenvolvimento da proposta paisagística para todo o local. Do projeto de Kliass, surgiu a idéia de dividir o projeto em três fases de implantação, cada uma caracterizada por um perfil distinto.

Em setembro de 2003 foi inaugurada a primeira fase do parque, o Parque Esportivo, que com 35 mil metros quadrados possui:
- 01-Pista de Skate
- 10-Quadras Poli Esportivas, sendo Duas de Tênis, Oito para a Pratica de Voleibol, Basquetebol, Handebol, Futsal.
- 01- Lanchonete com Bancos e Mesas.
- Banheiros Masculino e Feminino inclusive com acesso a Pessoas com Deficiência.
- 06-Pares de Bebedouros

Há também área de descanso e pista para caminhada, cooper e atividade física. Nesta etapa do projeto, o Governo investiu R$ 7,2 milhões. O parque faz empréstimo dos seguintes materiais esportivos: Bola de Futsal - Bola de Vôlei - Bola de Handebol - Raquetes e Bolinhas de Tênis.

Eventos da área esportiva:

Projeto Skate no Parque

O skate é o esporte que mais cresceu nos últimos dez anos no estado de São Paulo, sabendo desses dados a Secretária do Esporte , Lazer e Turismo, implantou o projeto de Skate no Parque da Juventude.
Terças,quintas, sextas e sábados das 9h as 22h
Quartas e domingos das 9h as 20h.

Esporte Inclusão

Aulas de Esporte Gratuitas de Segunda a Sexta: Das 7:30 às 18:30h
Tênis,Vôlei,Futsal ,Handebol, Basquetebol,Alongamento e Ginástica.

Aulas de Taekwondo

Esporte Olímpico e Panamericano agora no Parque da Juventude completamente Gratuito.
Aulas de : Terças e Quintas feiras
Horários: 11 às 13:00h e de 12às 14:00h
Sábados : Aula aberta ao público a partir das 14h

Passeio Monitorado

O passeio envolve trilha ecológica e caminhada pelas ruínas do antigo Carandiru.
De segunda a sexta das 13 as 18h.
Sábados e Domingos com agendamento prévio exceto feriados.

A segunda Fase, ou Parque Central, onde foram investidos R$ 6,3 milhões, foi inaugurada em outubro de 2004 e tem aproximadamente 95 mil metros quadrados de área verde, com alamedas, jardins, bosques, árvores ornamentais e frutíferas. Nesta parte foram implantados morros, que formam espaços que proporcionam ao visitante uma sensação de privacidade e aconchego, uma das marcas do Parque.

A terceira Fase do Parque da Juventude, é denominada Parque Institucional. Nesta área terá escolas técnicas profissionalizantes e inclusão digital.

Para completar o conjunto, será construído um teatro de mais de 4,5 mil metros quadrados, com 530 lugares em dois níveis e um palco de 14 metros de largura, o que permite a apresentação de orquestras completas. O teatro também dará para a área externa, com capacidade para uma platéia de até 30 mil pessoas no gramado.

O Parque é cortado pelo Córrego Carajás, que desemboca no Rio Tietê. A Sabesp atua no bairro de Santana e adjacências para que o curso d´água passe pelo parque com águas 70% mais limpas.

A Pinacoteca do Estado

terça-feira, 7 de julho de 2009

A Pinacoteca do Estado de São Paulo é uma instituição cultural brasileira subordinada à Secretaria da Cultura do estado de São Paulo. Sua sede principal encontra-se localizada no Jardim da Luz, na capital paulista. Além desta, ocupa ainda o espaço chamado Estação Pinacoteca, antigo prédio do DOPS, e um edifício no Parque do Ibirapuera.

Um dos mais importantes museus de arte do país, a Pinacoteca do Estado reúne em seu acervo mais de seis mil obras, entre pinturas, esculturas, colagens, desenhos, tapeçarias, porcelanas e louças. A coleção abrange, majoritariamente, a história da pintura brasileira entre os séculos XIX e XX.

As origens da Pinacoteca do Estado remetem à criação do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, instituição privada fundada em 1873 por iniciativa de Leôncio de Carvalho, agregando 131 sócios beneméritos, e inicialmente denominada Sociedade Propagadora da Instrução Popular.

Inspirada no positivismo e com o apoio da maçonaria, a instituição passou a ministrar cursos profissionalizantes gratuitos voltados para as artes aplicadas, a lavoura e a indústria, de maneira semelhante ao contemporâneo movimento Arts and Crafts da Inglaterra. Somente na sua primeira década de atividades, o Liceu formaria mais de oitocentos alunos, atestando a forte demanda gerada pelo período de grande expansão econômica e populacional que a cidade atravessava.

Em 1895, o engenheiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo assumiu a direção do Liceu, empreendendo uma reforma ampla que objetivava a futura criação de uma Escola de Belas Artes na capital paulista. Dessa forma, coube à instituição preencher também essa lacuna e, extrapolando a função de formar artesãos, atuou no âmbito do ensino artístico, formando nomes como Hugo Adami, Mário Zanini e Odetto Guersoni.

Paralelamente a isso, em 1893, uma lei estadual havia determinado a instalação do Museu do Estado (hoje Museu Paulista) no edifício-monumento erguido no bairro do Ipiranga, nas proximidades do riacho homônimo onde se deu a independência do Brasil. O museu, herdeiro da coleção Sertório, seguia os moldes dos gabinetes de curiosidades, com um diversificado acervo que pretendia abarcar todas as áreas do conhecimento, e para o qual fora destinado um núclo significativo de obras de arte amealhadas pelo estado nas décadas anteriores.

Em 1897, o governo do estado cedeu ao Liceu um terreno no cruzamento das avenidas Santos Dumont e Tiradentes, dentro da área do Jardim da Luz, para servir de sede à instituição. O projeto ficou a cargo do escritório de Ramos de Azevedo, com a colaboração de Domiziano Rossi. Em estilo monumental e neoclássico, foi parcialmente concluído e inaugurado em 1900, quando começaram a funcionar alguns cursos de instrução artística, além do Ginásio do Estado, que dividiria o espaço com o Liceu até 1924.

O prédio tem estilo monumental em forte consonância com os princípios do ecletismo italiano, formado por três pavimentos, com dois pátios internos de modo a garantir ventilação e iluminação. No centro, primeiro piso, localiza-se o saguão central, com altíssimo pé-direito e janelas voltadas para o interior, que prevê uma cúpula, lamentavelmente, nunca concluída.

Na construção foram empregados materiais importados como pinho-de-riga e cerâmica francesa. No projeto, os engenheiros idealizaram a integração entre o edifício e o Jardim da Luz, pelo recurso às varandas laterais e às janelas que dão para o parque. O prédio foi parcialmente inaugurado em 1900, quando começaram a funcionar alguns cursos de instrução primária e artística.

O edifício, no entanto, nunca foi concluído, como atestam os tijolos expostos na fachada e nos pátios internos e na ausência da já referida cúpula, que constava do projeto original.

O tombamento do prédio foi oficializado em 1982, visando à preservação de um dos componentes do conjunto arquitetônico do bairro da Luz, característico da passagem do século XIX para o XX em São Paulo, onde se inserem ainda a Estação da Luz, A Estação Júlio Prestes, o Museu de Arte Sacra de São Paulo, entre outros.

Entre 1993 e 1998, o edifício-sede sofreu uma ampla reforma conduzida pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, em conjunto com os arquitetos Weliton Ricoy Torres e Eduardo Argenton Colonelli, da qual resultou um museu adaptado às necessidades de exposições internacionais, tornando a Pinacoteca do Estado um destino certo para grande parte das mostras que chegam a São Paulo. O projeto de reforma foi laureado com o Prêmio Mies van der Rohe para a América Latina aos três arquitetos.

 Pinacoteca do Estado mantém um expressivo e variado acervo de arte brasileira, principalmente dos séculos XIX e XX. Entre as mais de seis mil obras mantidas pela instituição, estão pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, tapeçarias, objetos de arte decorativa e um seleto conjunto de imaginária do período colonial, capazes de fornecer um amplo panorama da arte nacional.

No segmento referente ao século XIX, certamente o núcleo mais consistente e importante da instituição, é possível entrar em contato com a maior coleção de obras de Almeida Júnior. Entre paisagens, retratos e cenas de interior, sobressaem as célebres obras Caipira Picando Fumo, Saudade e Leitura. As naturezas-mortas de Pedro Alexandrino ocupam uma sala inteira, onde se destacam Cozinha na Roça, Peru Depenado e Aspargos.

Há ainda paisagens de Antônio Parreiras e Benedito Calixto, como a Baía de São Vicente; pinturas históricas e cenas de gênero de Oscar Pereira da Silva (Hora de Música e Infância de Giotto), retratos de Bertha Worms e Henrique Bernardelli, a tela Maternidade, de Eliseu Visconti, obras de Castagneto, João Batista da Costa e Pedro Weingärtner, entre muitos outros. A coleção tem especial importância ainda pelo destacado número obras de pintores acadêmicos paulistas.

A despeito de sua ênfase na arte acadêmica, o acervo conta com diversas obras de artistas modernistas, como Victor Brecheret, Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Anita Malfatti, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Clóvis Graciano, Francisco Rebolo e Túlio Mugnaini. Ao longo do século XX, incorporou também obras abstracionistas de distintas extrações - Waldemar Cordeiro, Samson Flexor, Arcângelo Ianelli -, além de trabalhos contemporâneos, como os de Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Paulo Pasta.

Complementam a coleção um significativo núcleo de pinturas oitocentistas européias e de esculturas francesas, com destaque para o conjunto de nove bronzes de Auguste Rodin (Torso da Sombra, Bacanal, Gênio do Repouso Eterno) e outras obras de Aristide Maillol, Medardo Rosso, Antoine Bourdelle e Niki de Saint Phalle.

Recentemente, o museu recebeu em regime de comodato uma importante doação: a coleção José e Paulina Nemirovsky. Trata-se de uma das mais importantes coleções de arte moderna brasileira, reunindo obras-primas de alguns dos mais destacados artistas nacionais, como Tarsila do Amaral (cinco telas, entre elas Antropofagia), Anita Malfatti, Victor Brecheret, Lasar Segall, Ismael Nery, Flávio de Carvalho e Vicente do Rego Monteiro. A coleção pode ser vista em exposição permanente na Estação Pinacoteca.

O museu também é depositário da Coleção Brasiliana da Fundação Estudar. São aproximadamente trezentas peças de brasiliana (estudos científicos, artísticos e etnográficos feitos por artistas estrangeiros), produzidas a partir do século XVII, que podem ser vistas em exposições rotativas na Pinacoteca.

O Mosteiro de São Bento

domingo, 5 de julho de 2009

O Mosteiro de São Bento, localizado no centro da cidade de São Paulo, no Largo de São Bento, próximo ao Vale do Anhangabaú, é um dos edifícios históricos mais importantes da capital paulista.

O conjunto todo é o Mosteiro de São Bento, o qual tem em sua portaria o principal acesso onde os monges que aí vivem em oração, ficam de prontidão a receber todos os hospedes e visitantes, acolhendo assim os que vem à vida de oração, retiro, ou procuram orientação espiritual ou confissão.

Nele há a clausura monástica, a Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção (elevada a esta dignidade em 14 de junho de 1922), onde há o coro para o ofício divino rezado diariamente pelos monges e a missa é celebrada, ambos no rito monástico e com canto gregoriano, e Colégio de São Bento e Faculdade de São Bento. Em maio de 2007, hospedou o Papa Bento XVI em sua primeira visita ao Brasil.

Com a chegada dos monges beneditinos à São Paulo em 1598 foi fundada uma pequena ermida, núcleo inicial da presença dos beneditinos na cidade e prepararação para a formação do primeiro núcleo comunitário e a edificação do mosteiro.

A Câmara Municipal doou, em 9 de maio de 1600, uma gleba de terra situada “no lugar mais ilustre da vila, depois do Colégio da Companhia” (O Colégio dos Jesuítas), em doação perpétua: “os quais chãos serão para o convento, mosteiro, ou casa do dito santo, fôrros livres e isentos de todo tributo e pensão, de hoje até o fim do mundo”.

O local era o mesmo onde se localizara a antiga taba do caçique Tibiriçá descrito assim pelo historiador Taunay: “…glorioso índio que realizara a aproximação euro-americana e permitira o surto da civilização no planalto, salvando São Paulo da agressão tamoia de 1562″.

Ao fim de 1634, as obras foram concluídas e pode ser constituída a Abadia, inicialmente a pequena capela foi dedicada a São Bento, mais tarde, a pedido do Governador da Capitania de São Vicente, D. Francisco de Sousa, foi alterado o patrono para Nossa Senhora de Montserrat e, em 1720, a capela passou a chamar-se de Nossa Senhora da Assunção, título que conserva até hoje.

O mosteiro inicial era muito pequeno e a capela não era suficiente para receber todas as pessoas que a procuravam. Sabedor das dificuldades financeiras dos monges, Fernão Dias Paes se prontificou a ajudar financeiramente a construção de uma nova capela e ser o benemérito maior do mosteiro, em troca pediu apenas que seus restos mortais e de sua família viessem a ficar guardadados na capela que ele ajudaria a erigir e, de fato, ele e sua esposa repousam perenemente na cripta do Mosteiro.

Em 1650, foi lançada a pedra fundamental dessa nova construção que ficou pronta antes da morte de seu benemérito em 1681.

Vale destacar a participação do Mosteiro de São Bento no histórico episódio que marca o primeiro grito de independência da colônia, a aclamação de Amador Bueno como rei de São Paulo: evitando aqueles que queriam fazê-lo rei apressadamente, rumou em direção ao templo onde pretendia refugiar-se.

Os paulistas seguiam-no proclamando vivas: “Viva Amador Bueno, nosso rei”, ao que ele replicava repetidamente: “Viva o senhor D. João IV nosso rei e senhor, pelo qual darei a vida”.

Em 2006, o Mosteiro passou por um intenso processo de restauração e melhorias para receber e hospedar o Papa Bento XVI, em sua visita ao Brasil em maio de 2007. Com a cobertura internacional gerada pelo interesse que a visita despertou, o Mosteiro ganha projeção, o que pode desenvolver o turismo religioso e cultural na cidade.

Em julho de 1900 se inicia um novo período na história do mosteiro quando começam as obras do Colégio (então chamado Ginásio) ficando pronto em 1903 contando, entre seus professores fundadores, com Afonso d’Escragnolle Taunay. Após isso, em 1908, é fundada a faculdade de Filosofia, que viria a ser a primeira do Brasil e embrião da atual PUC de São Paulo.

É nessa época, também, que se inicia o projeto de uma nova abadia e um novo mosteiro. Em 1910 tem início a construção, segundo projeto do arquiteto Richard Berndl da cidade de Munique, Alemanha. Quatro anos mais tarde, em 1914, estava completo o conjunto tal como é conhecido hoje, abrigando a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, o Mosteiro e o Colégio de São Bento.

A Faculdade de São Bento ainda hoje retém sua tradição educacional oferecendo curso de licenciatura em filosofia, além de cursos livres de idiomas.

O relógio do Mosteiro de São Bento, uma preciosidade mecânica de fabricação alemã, foi durante o século XX, até o aparecimento dos relógios a cristal de quartzo, considerado o relógio mais preciso de São Paulo.

Durante uma momentanea pane, no início da década de sessenta, era comum ver os transeuntes do centro acertando a hora errada em seus relógios de pulso, tal a fama de precisão. Conta também com um carrilhão, sinos afinados, que tocam nas horas cheias e nas frações.

O órgão da igreja, também alemão, é afamado entre os especialistas, e bem mantido, com concertos regulares com interpretes conhecidos.

O mosteiro abriga ainda uma biblioteca com mais de cem mil títulos, alguns bem raros. Especula-se que seja a mais antiga da cidade de São Paulo, tendo início com os primeiros monges que chegaram em 1598.

O acervo contém 581 títulos publicados antes do século 19, entre eles seis raros incunábulos, o mais antigo é um Novo Testamento de 1496,. Tem ainda uma curiosa coleção de manuscritos minúsculos, com menos de 1 centímetro de lombada, que contém uma passagem bíblica ou uma oração. O acesso ao acervo é restrito aos monges e alunos, mas pesquisadores e estudiosos podem solicitar uma permissão especial.

O Campo de Marte

domingo, 14 de junho de 2009

O Aeroporto Campo de Marte é um aeroporto brasileiro, localizado na zona norte da cidade de São Paulo, no bairro de Santana. Foi o primeiro terminal aeroportuário de São Paulo, sendo que hoje não conta mais com linhas comerciais regulares, predominando o tráfego de helicópteros e aviões de pequeno porte, a denominada aviação geral.

A maior frota de helicópteros do Brasil está sediada no aeroporto e sua infraestrutura permite que São Paulo abrigue a maior do mundo desse tipo de aeronave, tendo superado a de Nova Iorque.

O aeroporto é sede do Aeroclube de São Paulo, a maior escola de aviação civil da América Latina e uma das mais antigas em funcionamento no Brasil.

Além das atividades aeroportuárias e da escola de aviação, o Campo de Marte abriga o Serviço Aerotático da Polícia Civil e o Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar, sem contar órgãos da Força Aérea Brasileira, como o IV Comando Aéreo Regional, o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo, o Hospital da Aeronáutica etc.

É um aeroporto compartilhado, com parte da área física sob administração do Comando da Aeronáutica e outra sob o controle da Infraero, ambos ligados ao Ministério da Defesa.

As atividades operacionais do aeroporto foram iniciadas em 1920, sendo ele a primeira infraestrutura aeroportuária da cidade de São Paulo, quando foi construída a primeira pista para pousos e decolagens bem como um hangar da força pública.

Durante a Revolução de 1932 o governo federal ordena às forças armadas o bombardeio aéreo do Campo de Marte, além da cidade de Campinas, uma Usina Hidrelétrica, posições no Vale do Paraíba – entre Bananal e Barra Mansa e às cidades de Faxina, Buri e Itapetininga.

O Campo de Marte foi alvo de um ataque aéreo pesado pois seus pilotos haviam sido convocados para integrar o Movimento Constitucionalista, juntamente com outros aviadores militares que haviam aderido à causa.

Além da destruição provocada pelos bombardeios ao aeroporto, terminada a contenda, todos os aviões do Campo de Marte foram levados para o Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Em 1934, a instalação do Parque da Aeronáutica ocupou uma boa parcela da área do Campo de Marte.

O Palácio da Justiça

sábado, 6 de junho de 2009

Encomendado ao arquiteto Ramos de Azevedo em 1911, o Palácio da Justiça tem em sua história curiosidades e fatos marcantes. Considerado monumento de valor arquitetônico, interesse cultural e símbolo de ideais nobres, o prédio foi tombado pelo Governo do Estado em dezembro de 1981.

Localizado na praça Clóvis Bevilacqua, no centro da capital, o prédio onde hoje funciona o Tribunal de Justiça de São Paulo começou a ser construído em 1920 e passou a funcionar em 1933. Entretanto, a inauguração oficial só aconteceu em 1942, para que o novo monumento fosse entregue à cidade de São Paulo como um presente de aniversário pelos seus 388 anos.

A primeira sede do Tribunal de Justiça, em 1874, localizava-se na Rua Boa Vista, 20, época em que era denominado “Tribunal da Relação de São Paulo e Paraná”. Contava com apenas sete desembargadores e era presidido pelo cearense Tristão de Alencar Araripe. Com a promulgação da Constituição, em 1891, surgiu o “Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo”.

Em razão do crescimento demográfico e da expansão do judiciário paulista, fez-se necessária a construção de uma sede para abrigar o Tribunal de Justiça, até então instalado em casarões precários no centro de São Paulo.

A maioria dos operários empregados na construção do prédio eram imigrantes italianos e espanhóis. A presença de grandes espaços tornou a obra pioneira no uso de estruturas metálicas. Sua fachada foi inspirada no Palácio da Justiça de Roma, com acabamentos luxuosos e ornamentado com figuras, cariátides e símbolos do judiciário.

Em 1995, foi inaugurado o Museu do Palácio, destinado a manter e contar a história do Poder Judiciário através de móveis, quadros, sinos, fotografias, livros raros e objetos utilizados em tribunais. O local disponibiliza aos interessados visitas monitoradas com palestras e exposições de temas variados durante a semana.

O Palácio da Justiça pode ser visitado individualmente, ou por grupos de visitantes e estudantes, nos dias úteis, durante o horário do expediente.

Monitoras do Tribunal, mediante agendamento prévio, apresentam aos visitantes um relato sobre a história do Tribunal e percorrendo as dependências do Palácio, o Salão dos Passos Perdidos, a Sala Ministro Manoel da Costa Manso (Plenária), a Biblioteca (Sala Adriano Marrey – o Advogado) e outros locais de interesse histórico e cultural.

Estudantes e estagiários poderão assistir às sessões de julgamento, para as observações e anotações pertinentes.

A visitação monitorada é reconhecida pelo MEC para fins de estágio extracurricular. São expedidos certificados de participação, a pedido dos interessados.

Para agendamento de visitas entre em contato com o Cerimonial do Palácio pelo telefone: (0XX11) 3242-9366 Ramal 376

A Capela da PUC

domingo, 31 de maio de 2009

No bairro de Perdizes, em São Paulo, a igreja do Coração Imaculado de Maria, ou Capela da PUC, como é mais conhecida, é sede e matriz da Paróquia Universitária de São Paulo, criada em 30 de abril de 1965, e da Paróquia Territorial do Coração Imaculado de Maria, erigida em 21 de agosto de 1967. Mas sua história começa 280 anos antes, no século XVII.

No coração da cidade

Dom José de Barros de Alarcão, primeiro bispo do Rio de Janeiro, queria fundar em São Paulo uma casa para mulheres que desejassem seguir a Cristo segundo a espiritualidade de Santa Teresa de Ávila. A seu pedido, o empreendedor Lourenço Castanho Taques encarregou-se da obra, contando com o apoio financeiro do irmão, Pedro Taques de Almeida, e com os terrenos doados por Manoel Vieira Barros. Em 1685, concluída a construção, inaugurava-se o Recolhimento de Santa Teresa.

Três filhas de Manoel Vieira de Barros seriam as primeiras recolhidas, no espaço localizado no centro de São Paulo, entre as ruas Roberto Simonsen, Wenceslau Brás, Irmã Simpliciana e Santa Teresa (hoje parte da Praça da Sé).

Foi o primeiro bispo de São Paulo, dom Bernardo Rodrigues Nogueira, quem acolheu o antigo desejo das religiosas recolhidas de terem um estatuto próprio, redigido em 1748.

A história do recolhimento da Praça da Sé se entrelaça, entre 1769 e 1770, com a do beato Frei Antônio de Sant’Ana Galvão. Designado confessor do recolhimento naquele período, o frade ouviu e procurou estabelecer a validade das visões da irmã Helena Maria do Espírito Santo, nas quais Jesus pedia à religiosa que fundasse outro recolhimento. Em 1774, ela e mais três religiosas fundam com Frei Galvão o Recolhimento da Luz, hoje Mosteiro, onde está sepultado o frade beatificado em 1998.

Em 1913, a pedido do arcebispo de São Paulo dom Duarte Leopoldo e Silva, religiosas do Rio de Janeiro vieram viver no recolhimento da Praça da Sé, para implantar ali a regra carmelitana de Santa Teresa. O recolhimento se tornaria, então, Mosteiro Professo da Ordem das Carmelitas Descalças de Santa Teresa.

À espera de que se construísse seu novo lar, com estrutura e localização mais adequadas às exigências da vida conventual, as religiosas se mudaram provisoriamente para o bairro da Penha, na Zona Leste da cidade, em 1918.

Raízes de uma universidade

Tranqüilo e então pouco povoado, o bairro das Perdizes, na Zona Oeste, acolheu o novo convento em 1923. Sua capela, hoje Matriz da Paróquia Coração Imaculado de Maria, foi inaugurada no mesmo ano, mas só ficaria pronta, com todas as ornamentações, em 1936.

Passam-se duas décadas. Levando a cabo uma idéia antiga, o arcebispo e primeiro cardeal de São Paulo, dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, criou em 1946 a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC. Para acolhê-la fisicamente, o amplo Convento das Perdizes apresentava a arquitetura ideal.

Ao cederem o terreno e o prédio para que fosse doado à mantenedora da PUC, em 1948, as carmelitas, cuja disponibilidade já dera tantos frutos, originando pelo menos oito novos conventos desde a fundação do carmelo de São Paulo, contribuía não apenas para a implantação da nova universidade, mas também para o desenvolvimento de uma viva comunidade paroquial.

Duplamente paróquia

As carmelitas transferiam-se para a Avenida Jabaquara, na região Sul da cidade, e em sua capela nas Perdizes começava algum tempo depois o atendimento aos universitários. Em 1965, o capelão padre Benedito de Ulhoa Vieira solicitaria ao arcebispo dom Agnelo Rossi a criação de uma Paróquia Universitária. Sua matriz: a Capela da PUC. Em 1967, a mesma igreja viria a se tornar matriz da Paróquia do Coração Imaculado de Maria.

Ao ser nomeado bispo auxiliar, monsenhor Benedito deixa a paróquia, em 1971. É sucedido por padre Décio Pereira, grande incentivador da Associação Promocional do Coração Imaculado de Maria - APROCIMA. Padre Décio é nomeado bispo em 1979, tendo como sucessor na paróquia o padre José Pedro dos Santos. Padre José Pedro assume outra paróquia em 1991 e é sucedido por padre Antonio Edson Marmol, que falece em 1992. Padre Pedro Antonio Ariede o sucede, em 1993, permanecendo à frente da Capela da PUC até 1999.

O atual pároco, padre Vando Valentini, tomou posse em 9 de maio de 1999. Na mesma época, foi convidado pelo cardeal arcebispo dom Cláudio Hummes para organizar e coordenar o Núcleo Fé e Cultura, ligado à Pontifícia Universidade Católica.

História que se vê

Ao receber a bênção, em 16 de setembro de 1923, a Capela, construída em estilo colonial brasileiro, não estava completamente ornamentada. Em 1936 ficaram prontas as telas pintadas por Pedro Corona, que decoram as paredes laterais com episódios da vida de Santa Teresa de Ávila. Enquanto a capela pertenceu ao convento, seu altar principal tinha a escultura de Santa Teresa de Ávila ao centro, ladeada pelas de São João da Cruz e de Santa Teresinha do Menino Jesus. Os altares laterais tinham São José, de um lado, e Nossa Senhora do Carmo, do outro.

Com a transferência das religiosas de Perdizes para o Jabaquara, os santos dos altares também mudaram de residência. No altar principal, então, foi posta uma imagem de Nossa Senhora Sedes Sapientiae, trazida da Espanha por monsenhor Emílio José Salim. O artista José Tudon Puyeo, a pedido do padre Antônio de Oliveira Godinho, em 1958, esculpiu as demais imagens dos altares: São Tomás de Aquino e Santa Teresinha para o altar principal; o Sagrado Coração de Jesus e São José, para os altares laterais. Na sacristia, encontra-se a imagem do Coração Imaculado de Maria, doada por dom Paulo Rolin Loureiro.