
Foto de Marco Vieira
O Palacete
Em fins do século XIX, a região conhecida hoje como o bairro da Liberdade, foi ocupada de fato. Dentre as herdades tradicionais que ali existiam, estava a Chácara Tabatinguera, propriedade de Dona Anna Maria de Almeida Lorena Machado.
Foi ela quem mandou abrir, em suas terras, ruas como a Conselheiro Furtado e Conde de Sarzedas, além de mandar construir a Capela de Santa Luzia que, após a sua morte, em 1903, foi doada pelos herdeiros à Cúria Metropolitana.
Anteriormente a chácara havia pertencido a D. Francisco de Assis Lorena, filho de D. Bernardo José de Lorena, governador da capitania de São Paulo entre 1788 e 1797, vice-rei da Índia entre 1806 e 1816, e 5º Conde de Sarzedas, título nobiliárquico criado em 1630 pelo rei Felipe IV de Espanha.
Foi Luís de Lorena Rodrigues Ferreira, descendente do Conde de Sarzedas e deputado por São Paulo, quem mandou construir o Palacete, provavelmente em 1891. O palacete era um presente para sua futura esposa, a jovem francesa Maria Luiza Belanger Rodrigues Ferreira (também denominada de Marie Louise Dallanger).
Conta-se que, com 60 anos de idade e apaixonado pela garota de 18 anos, Luiz mandou levantar a edificação que ficou conhecida como “Castelinho do Amor”. Vitrais franceses, madeiras nobres, ladrilhos hidráulicos, lustres importados compunham o cenário idealizado por Luiz Ferreira para a sua amada.
O casarão, também, estava localizado em local privilegiado: no topo de uma colina. Subindo por uma escada estreita, chegava-se a um mirante, de onde se podia avistar todo o vale do Tamanduateí.
Hoje, a vista da construção, a partir do mirante, pode-se ver, ainda, a Catedral da Sé e o Palácio da Justiça.
Após a morte do proprietário, Maria Luiza, seu filho e nora ainda permaneceram no Castelinho até 1939. Depois desse período, o local abrigou de tudo: igreja evangélica, cortiços, invasões, até que em 2001 foi aberto o processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo.
Quando a Fundação Carlos Chagas, atual proprietária do terreno, procurou o arquiteto Ruy Ohtake para projetar a construção do edifício que hoje abriga os Gabinetes dos Desembargadores de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (Edifício Nove de Julho), o arquiteto Samuel Kruchin assumiu as pesquisas para o restauro do antigo casarão.
Em 2001 foi aberto o processo de tombamento e, por meio da Resolução nº 15/2002, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP – tombou a edificação conhecida como Palacete Conde de Sarzedas.
O projeto de restauro do Palacete iniciou-se em 2002. Foram realizadas obras de reforço das fundações e cintamento em concreto sobre as paredes do pavimento superior, correções de infiltrações de água na cobertura, recuperação da fachada, pinturas e demais elementos que compõem o conjunto arquitetônico, o que perdurou até janeiro de 2006.
O local atualmente abriga o o Centro Cultural do Museu do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, que guarda relíquias do Tribunal, como togas de desembargadores que se aposentaram, objetos antigos, como máquinas de escrever, e documentos históricos sobre jurisprudências do Tribunal de Justiça.
O Edifício

Foto de Vera Scharan
Idealizado pela Fundação Carlos Chagas para ser o novo espaço do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o Edifício Conde de Sarzedas possui 29.400m² de área construída, num terreno 2.388,00m².
Sua altura total é de 109,00 m (do piso do 4° Subsolo à Cobertura da Casa de Máquinas); A Área do Pavimento Tipo é de 881,00m²; Os 4 Subsolos destinados a pisos para garagens abrigam um total de 260 veículos em suas vagas.
A fachada em pele de vidro tem formas côncavas e convexas. Na face curva, os vidros são azuis, enquanto nas outras uma combinação de tons define uma marcação horizontal: opacos na frente de laje, fumê no vão-luz e azul no peitoril. No total, foram usados 11.750m² de vidros laminados para a obra.
Com 106 metros de altura, lajes em balanço, pilares de transição, fachadas curvas e retas e parede-diafragma, o prédio enfrentou, na construção, grandes desafios e elevado grau de complexidade.
Responsável pela obra, a construtora Blokos programou os trabalhos de forma a tornar o processo ágil e garantir a qualidade, evitando desperdícios, além de organizar a logística para não interferir no trânsito da região central de São Paulo.
A área central de São Paulo influenciou a arquitetura e o nome do edifício. Como o casarão deveria ser preservado, o arquiteto Ruy Ohtake desenhou uma torre de linhas curvas e fachada-cortina, compondo recuos que envolvem a antiga edificação.
Um arranha-céu espelhado de 29 andares é o responsável pela recuperação de um casarão de 110 anos, escondido em um canto da cidade - na Rua Conde de Sarzedas, travessa da Rua Conselheiro Furtado, atrás do Fórum João Mendes, no centro de São Paulo. O Edifício abriga o Museu do Tribunal de Justiça e passou a ser um pólo turístico muito visitado.
Sem o Castelinho, o edifício Conde de Sarzedas seria apenas mais um aranha-céu perdido e anônimo entre milhares de outros, na capital paulista.













